Empreendedorismo


A época atual requer cidadãos intervenientes e com espírito de iniciativa, capazes de darem, no século XXI, um contributo para uma sociedade que se pretende de empreendimento. Isso requer capacidades e competências que devem ser desenvolvidas na escola, que se espera que prepare para a vida de uma forma integrada.
Nesta rúbrica, vamos procurar explicitar o que se faz no Colégio de S. José com essa finalidade.

- Autonomia e responsabilidade

Se as nossas crianças se habituam a fazer, em cada momento do dia, o que lhes mandam fazer, tornam-se inevitavelmente dependentes. E infelizmente é isso que acontece na maioria das escolas.
No nosso Colégio, a nível do trabalho académico, as crianças são convidadas a organizarem partes do seu tempo, fazendo planos de trabalho, de acordo com as orientações dos seus professores. Esse estímulo à autonomia inicia-se no Jardim de Infância em pequenos espaços de trabalho (planear-fazer-avaliar do sistema High-Scope e tempos de trabalho de grupo de projetos). Ao longo do 1.º Ciclo do E. B., estes espaços vão-se alargando gradualmente, de acordo com o desenvolvimento dos alunos e o seu nível de domínio das aprendizagens instrumentais essenciais, como a da leitura e da escrita. No 2.º Ciclo do E. B., eles ocupam já uma faixa relativamente alargada do dia escolar. Nesses momentos de trabalho autónomo, é comum que os alunos de um mesmo grupo ou turma estejam a fazer, simultaneamente, trabalhos diferentes de diferentes disciplinas. Os planos que servem de suporte a estes espaços de autonomia, são elaborados sob supervisão do professor/tutor e avaliados pelo próprio aluno e pelo seu professor/tutor no final da sua execução. Esta forma de trabalhar torna os alunos organizados e responsáveis, aumentando fortemente a sua motivação.

A nível da vida do Colégio, os alunos são estimulados a constituírem-se, autonomamente, em assembleias de turma e de escola e nesses órgãos decidem uma parte considerável da organização das suas turmas e da comunidade escolar como um todo. As decisões tomadas são respeitadas por todos os elementos da comunidade e normalmente controladas pelos próprios alunos. É uma forma mais de desenvolver a sua autonomia, responsabilidade e liderança.

- Espírito de iniciativa

De uma forma geral, a escola quarta a iniciativa dos seus alunos, impondo-lhes um horário e determinando, de forma rígida e, como já dissemos, o que devem fazer em cada tempo do horário.
No Colégio de S. José, cabe aos alunos decidirem o que fazer para atingirem os objetivos a que se propõem, de acordo com as orientações dos professores. Um aluno pode, inclusivamente, desenvolver, de forma mais profunda, um determinado aspeto do currículo que lhe interesse especialmente ou realizar um projeto sobre um determinado tema, individualmente ou em grupo.
Este estímulo ao desenvolvimento da capacidade de iniciativa não se restringe apenas aos aspetos académicos. No nosso Colégio, as mais diversas iniciativas dos alunos – campanhas, concursos, campeonatos, organização de festas e outras atividades – recebem normalmente o apoio da Direção e do corpo docente. As iniciativas decididas em assembleias de turma ou de escola são encaradas com um carinho especial, porque são expressão de uma primeira forma do exercício da democracia.

- Capacidade para trabalhar em equipa e para liderar

O trabalho em equipa é um traço forte da cultura atual. Está presente nos mais diversos âmbitos da vida: nas empresas, na vida académica e de investigação, no voluntariado e em tantos outras formas de vida social. A própria família, quando funciona de forma harmoniosa, é um exemplo especialmente elucidativo do que deve ser uma equipa e da forma como deve funcionar, oferecendo apoio afetivo, partilhando trabalho e pedindo responsabilidade.

No Colégio de S. José temos sempre em atenção esta forma ideal de funcionar, exigindo eficácia, mas oferecendo simultaneamente o contexto de apoio que torna possível essa exigência. O professor que assume cada grupo de crianças ou turma de alunos, seja ele o educador no Jardim de Infância, o professor da turma no 1.º Ciclo do E. B. ou os tutores responsáveis por pequenos grupos de alunos no 2.º Ciclo do E. B., é o primeiro responsável por esse contexto apoiante mas exigente. Mas não é o único. Cada grupo/turma de alunos constitui uma comunidade em que todos se sentem responsáveis pelos êxitos e fracassos de cada um. O próprio Colégio, como um todo, constitui-se como uma comunidade de comunidades, com órgãos próprios dos quais fazem parte integrante as assembleias de turma e escola lideradas por alunos, e onde todos se sentem unidos e corresponsáveis por um ideal comum e uma cultura comum de exigência e de solidariedade.

Na vida do dia-a-dia do Colégio, uma grande variedade de atividades e tarefas é, rotativamente, da responsabilidade de um aluno ou pequeno grupo de alunos, que aprendem a dirigir e/ou coordenar tudo o que é necessário para levar a bom porto o que lhes foi entregue.

Ao nível académico, é comum o recurso ao trabalho em pequenos grupos, uns mais ou menos espontâneos de interajuda, outros mais formais que se organizam para desenvolver um projeto ou apenas para fazerem um trabalho em conjunto. Esses grupos são liderados por um dos seus membros, havendo a preocupação de equilibrar uma certa estabilidade no cargo com alguma rotatividade que assegure que todos têm a possibilidade de desenvolver a sua competência para liderar.

- Competência para criar e desenvolver um Projeto
Acerca do relevo que é dado no Colégio à implementação de projetos, pouco mais há a acrescentar ao que já ficou dito em rúbricas anteriores a não ser que, para além dos projetos académicos, se estimula a realização de projetos de intervenção. Estes surgem normalmente da necessidade de resolver um problema detetado na vida do Colégio ou da comunidade envolvente – bairro, cidade ou outros âmbitos. Os projetos de intervenção são formas excelentes de desenvolver o espírito de iniciativa de que falámos mais acima.